Equilíbrio em todos os sentidos|  Inspire Paulista Yoga

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   Yoga é uma das grandes tradições (darshanas*) indianas e tem sua origem num passado a perder de vista.

   Nos dias de hoje, quando falamos em yoga estamos certamente nos referimos ao sistema de Yoga Clássico proposto por Patanjali no início da era cristã.

   Patanjali foi um grande sábio, que condensou suas reflexões sobre os caminhos que podemos percorrer para realizar o pleno potencial humano em 196 aforismos, conhecido como Yoga Sutras.

   A yoga é tradicionalmente dividida em oito aspectos, ou membros, que comparados a uma árvore seriam: yamas(raiz), niyamas(tronco), asana (galhos), pranayama (folhas), pratyahara (casca), dharana (seiva), dhyana (flor), samadhi (fruto).

   Yamas e niyamas são as disciplinas sociais (ligadas aos órgãos de ação) e individuais (ligadas aos órgãos de percepção). São comuns ao mundo inteiro, independente da yoga. E são essenciais para ascender a escada da sabedoria espiritual.

   Asanas, pranayamas e pratyahara envolvem esforço. São métodos que a ciência da yoga fornece para que a pessoa evolua.

   Dharana, dhyana e samadhi são efeitos da prática de asanas, pranayamas e pratyahara. Eles não podem ser diretamente praticados.

   YAMAS disciplina os orgãos de ação (braços, pernas, boca, orgãos reprodutores e excretores) e diz o que deve ser evitado para não causar danos ao indivíduo e à sociedade. É comparado às raízes da árvore porque é a fundação a partir da qual cresce todo o resto:

Ahimsa (não violência), Satya  (verdade), Asteya (não avareza) brahmacharya (controle do prazer sensorial/sexual) e aparigraha (não ambição)

 

   NIYAMAS disciplina os orgãos da percepção (olhos, ouvidos, nariz, língua e pele) e diz o que devemos fazer pelo bemd o individuo e da sociedade.  Pelo tronco serão transportado toda a energia e impurezas.

Saucha (higiene), Santosha (contentamento), Tapas (ardor/austeridade), Svadhyaya (auto  estudo) e Isvara pranidhana (devoção)

       

   ASANAS são posturas que levam as funções físicas e fisiológicas do corpo a entrar em harmonia com o padrão psicológico da disciplina yogue. Crescendo cada um com sua forma e apontando em várias direções, os asanas como os galhos irrigam as células do corpo.

 

   PRANAYAMA é a criação, distribuição e manutenção da energia. É a ponte entre o físico e o espiritual. Assim como as folhas, ele absorve o ar e o coloca em contato com as partes internas da árvore.

   PRATYAHARA é o recolhimento dos sentidos, em sua viagem interna os sentidos se desligam da pele e se voltam para o amago do ser. Sem a casca, a arvore seria devorada pelos vermes. Assim esse revestimento protege a energia que flui pela arvore.

   DHARANA é concentração, atenção. É a seiva que contem a energia dessa viagem ao interior, coliga a última pontinha da última folha a última pontinha da raiz.

 

   DHYANA é meditação. Quando a arvore é saudável e o suprimento de energia fantástico, as flores nascem.

   SAMADHI é equilíbrio, harmonia. É um estado onde você está plenamente consciente e essa consciência atravessa todas as camadas do corpo. Não é entrar em transe! A essência da árvore está no fruto e a essencia da yoga está na liberdade, na paz e na beatitude.

“Embora o cérebro esteja situado na cabeça, a mente existe em todo o corpo humano… A percepção consciente por meio de todo o seu ser, da pele até o eu, do eu até a pele. Saber se ver tanto por for quanto por dentro. Saber que existe o completo dentro e o completo fora.”

“Infelizmente, na meditação de hoje em dia obtemos solidão e vazio. A solidão leva ao menosprezo e o vazio à inércia. Vazio não é meditação. No sono você também está vazio e nada muda. Você não se torna uma alma evoluída porque dormiu 8 horas.”

    *darshanas (ponto de vista): Samkya, Yoga, Vedanta, Mimansa, Nyaya e Vaisheshika.

    Bibliografias: A tradição do Yoga (Georg Feuerstein), Iyengar Yoga posturas principais e A árvore do ioga (BKS Iyengar)